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 Para aquele que busca uma vida mais saudável, conhecer os valores nutricionais dos alimentos e ter uma dieta adequada, já não basta. Saber sobre os processos de produção, ter um padrão de qualidade, conhecer órgãos fiscalizadores, tornou-se uma prática dos consumidores, cada vez mais conscientes e mais exigentes.

 O processo de modernização da agricultura, baseado no uso intensivo de insumos industrializados, que se instalou nos últimos séculos, inegavelmente promoveu grande aumento da produção agropecuária. Entretanto, trouxe também efeitos deletérios, que se acentuam com o passar dos anos, como a tendência de diminuição da capacidade produtiva do solo, resultante da erosão e da perda de matéria orgânica, a degradação do meio ambiente e a contaminação dos produtos obtidos através do uso abusivo de produtos agroquímicos.

O cenário é preocupante, diversos especialistas do mundo apontam para uma crise mundial de fome, a degradação da saúde e do meio ambiente.

 O modelo atual da agricultura, não valoriza o planeta e seus habitantes, é dependente da indústria agroquímica, que com os agrotóxicos e os adubos químicos, provoca a morte do solo, cria plantas desequilibradas com baixa resistência, polui e deteriora o ecossistema.

 O Espiritualista, mais que o Materialista, deverá ter consciência e trabalhar para mudança deste cenário. Temos que manter nosso corpo físico com padrões adequados para cumprirmos nossos compromissos e evoluirmos. Fica a pergunta: quando tivermos nossas futuras encarnações, como conseguir um corpo em condições, se a deterioração genética segue a passos largos?

Um pequeno olhar nos estudos e depoimentos científicos mostra a relação do aumento do câncer e diversas outras doenças, com a ingestão de agrotóxicos.

O veneno mata toda vida do solo e destrói o ecossistema, a planta cresce com deficiência de nutrientes e fica vulnerável a pragas, a alimentação do homem é prejudicada, a qualidade de vida diminui e a doença se estabelece. Por fim, quando não tivermos áreas produtivas, o que fazer?

Nosso objetivo é convidá-los a participar desta “discussão”, promover o conhecimento, divulgar o que muitas pessoas sérias e competentes realizam, e principalmente, servir para o desenvolvimento do planeta.

Apresentaremos a Agricultura Orgânica, faremos nossa horta, desenvolveremos diversas atividades.

 

Sejam Bem Vindos!

Assista a este vídeo, e tome conhecimento de como anda a agricultura em nosso País. Veja a importância da Agricultura Orgânica em nossas vidas.

 Produzir alimentos saudáveis é promover saúde. O exercício da cidadania requer o respeito devido à vida, ao ambiente onde se vive e a todo ecossistema, visto que o bem estar do homem depende diretamente da sua relação com a natureza, assim como a saúde-doença está vinculado à prática da alimentação saudável.

 Em um país com tão grandes dimensões como o Brasil, com tantos recursos naturais e com tanto potencial humano, é de vital importância a preservação da vida e da saúde através de técnicas de cultivo não agressivas, onde Homem e Natureza estejam em perfeita harmonia.

 O presente trabalho vem oferecer uma contribuição à essa nova forma de trabalhar a terra, juntando-se a outros que igualmente acreditam que do respeito e amor à terra, dependem a sobrevivência do planeta e do ser humano assim como a saúde das novas gerações.

Prefácio de M. L. Fraga Penteado, do livro Introdução à Agricultura Orgânica 

 

Autor Engº Agrº Silvio Roberto Penteado.

  • Introdução

     

     Agricultura Orgânica é um sistema não-convencional de produção agrícola, de cultivo da terra, baseado em princípios ecológicos. Estes princípios básicos ecológicos de atuação abrangem o manejo dos recursos naturais e do solo, a nutrição vegetal, a proteção das plantas, a comercialização e processamento dos alimentos e os direitos socioeconômicos dos produtores e trabalhadores rurais.

     A agricultura orgânica é um sistema de produção comprometido com a saúde, a ética e a cidadania do ser humano para contribuir na preservação da vida e da natureza. Busca utilizar de forma sustentável e racional os recursos naturais, empregando métodos tradicionais e as mais recentes tecnologias ecológicas na exploração da terra.

     A agricultura orgânica é um dos ramos da agroecologia. Para fazer agricultura orgânica, é preciso antes de tudo ter uma visão do conjunto da natureza de um lugar, com todas as suas dependências, relações e interligações, e não usar receitas prontas ou insumos externos. Como cada lugar tem um ecossistema completamente diferente, é preciso avaliar as relações locais. Não podemos utilizar a tecnologia pronta, como faz a agricultura convencional, mas utilizar somente os conceitos e princípios da agroecologia.

     Sobre a definição do termo “Agricultura Orgânica”, o Projeto de Lei nº 659-A, de 1999 Substitutivo (do Relator) dá a seguinte versão:

     Art. 1º Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização ou a eliminação da dependência de energia não-renovável e de insumos sintéticos e a proteção do meio ambiente, assegurando-se, em especial:

     I – a oferta de produtos saudáveis, isentos de contaminantes;

     II – a preservação da diversidade biológica dos ecossistemas em que se insere o sistema de produção;

     III – a conservação do solo e da água;

     IV – a manutenção ou o incremento da fertilidade do solo;

     V – a reciclagem de resíduos de origem orgânica para o solo.

     Art 2º Considera-se produto da agricultura orgânica. Seja ele in natura ou processado, aquele obtido em sistema orgânico de produção agropecuária, devidamente certificado e rotulado.

  • Características do Sistema Orgânico

    O sistema de produção orgânica dispensa o emprego de insumos sintéticos, como fertilizantes, pesticidas, reguladores de crescimento e aditivos alimentares para os animais. Adota práticas de rotação de cultivos, reciclagem de resíduos orgânicos, adubos verdes, rochas minerais, manejo e controle biológico. Procura manter a fertilidade e a vida microbiana do solo para suprir a nutrição das plantas e sua sanidade.

     É um sistema preocupado em produzir um alimento sadio e com suas características e sabor originais, que atenda às expectativas do consumidor.

     Desta forma, ocorre uma interação entre o agricultor e o consumidor, que atenda às necessidades das partes envolvidas e fomente a co-responsabilidade.

    Na agricultura orgânica busca-se a qualidade de vida, evitando danos à saúde do homem, degradação do meio ambiente, perdas de resistência das plantas e prejuízos à população de inimigos naturais.

     A produção orgânica tem uma inegável vantagem sobre a agricultura convencional devido ao seu impacto benéfico sobre o ambiente e sobre a saúde humana. Além disso, ela também pode contribuir para melhorar a renda e a segurança alimentar, além de criar novos empregos.

     

     

    DIFERENÇA ENTRE OS 2 TIPOS DE AGRICULTURAS

     

     

  • Sistemas de Produção Orgânica

     Fazem parte da agricultura orgânica diversos métodos ou processos de cultivo agrícola, que adotam os mesmos princípios básicos ecológicos, sendo conhecidos na Europa e nos Estados Unidos como Agricultura Biológica, no Brasil, como Agricultura Orgânica.

     Os principais ramos ou vertentes do movimento agroecológico ocorreram a partir das décadas de 30 e 40, em várias partes do mundo, que são: agriculturas orgânicas (Índia), natural (Japão), biodinâmica (Alemanha) e biológica (França).

     Além dessas quatro, há outros movimentos menores, que surgiram posteriormente ou paralelamente, como a ecológica, a regenerativa, a alternativa, a permacultura, a agroflorestal etc. No mundo todo, quaisquer produtos obtidos através desses sistemas são conhecidos como alimentos orgânicos.

     Nos anos 70, o conjunto das correntes ecológicas passou a ser chamado de agricultura alternativa. O termo surgiu em 1977, na Holanda, quando o Ministério da Agricultura e Pesca publicou um importante relatório conhecido como “Relatório Holandês”, contendo a análise de todas as corretes não-convencionais de agricultura, que foram reunidas sob a denominação genérica de agricultura alternativa. Dessa forma, este termo não constitui uma corrente ou uma filosofia bem definida de agricultura, apenas é útil para reunir as corretes que se diferenciam da agricultura convencional.

     A partir dos anos 80, uma disciplina de base científica conhecida como agroecologia passou a ser empregada para designar, sobretudo, um conjunto de práticas agrícolas alternativas, mesmo que seus precursores (Dr. Miguel Altieri e Dr. Stephen Gliessman, da Universidade da Califórnia, EUA) insistissem em um conceito mais amplo, que incorporava um discurso social. Seus autores destacam que no enfoque da agroecologia troca-se a ênfase de uma pesquisa agropecuária direcionada a disciplinas e atividades específicas para tratar de interações complexas entre pessoas, culturas, solos e animais.

     Por fim, já no final dos anos 80 e durante a década de 90, o conceito amplamente difundido foi o de agricultura sustentável. Este conceito, muito amplo e repleto de contradições, deve ser considerado mais como um objetivo a ser atingido do que, simplesmente, um conjunto de práticas agrícolas.

     No Brasil para uniformizar alguns conceitos e dar cunho oficial a essa agricultura alternativa, segundo a Instrução Normativa nº 007 de 17/05/1999, que dispõe sobre as normas para produção de produtos orgânicos, o conceito de sistema orgânico de produção agropecuária abrange também o termos agricultura sustentável.

     Abaixo descreveremos como foram iniciados os principais movimentos agroecológicos.

     

  • Agricultura Orgânica

     O inglês Sir Albert Howard e seus auxiliares técnicos, trabalhando numa estação experimental agrícola na Índia, deram início, a partir de 1920, a uma das mais difundidas correntes do movimento orgânico, a agricultura orgânica. Sir Howard trabalhou com pesquisas na Índia, durante aproximadamente 40 anos, procurando demonstrar a relação da saúde e da resistência humana às doenças com a estrutura orgânica do solo, publicando obras relevantes entre 1935 e 1940 e, por isso, é considerado o fundador da agricultura orgânica.

     Um dos princípios básicos defendidos por Howard era o não uso de adubos artificiais e, particularmente, de adubos químicos minerais. Em suas obras, destacava a importância do uso da matéria orgânica na melhoria da fertilidade e vida do solo. Desenvolveu o método de compostagem denominado Indor, metodologia utilizada até hoje nos processos de compostagem. Reconhecia que o fator principal – para a eliminação de pragas e doenças, melhoria dos rendimentos e qualidade dos produtos agrícolas – era a fertilidade natural do solo.

     O aprimoramento do método de produção de Howard foi feito pela pesquisadora inglesa Lady Eve Balfour, que transformou sua fazenda de Suffolk, na Inglaterra, em estação experimental. Em 1946, fundou uma entidade chamada Soil Association, onde realizou diversas atividades e publicações comparando a qualidade do solo em parcelas orgânicas, mistas e químicas. Seus estudos foram difundidos, reforçando a importância dos processos biológicos do solo, além da relação entre solo, planta, animal e a saúde do homem.

     Outro seguidor de Horward foi Jerome Irving Rodale. No final da década de 40, nos Estados Unidos, ele fundou um forte movimento em prol da agricultura orgânica, publicando posteriormente a revista Organic Gardening and Farm (OG&F). Mais tarde, foi fundado o Rodale Institute que realiza pesquisa, extensão e ensino em agricultura orgânica até os dias de hoje.

     

  • Agricultura Biodinâmica

     Foi desenvolvida a partir de oito conferências do filósofo austríaco Rudolf Steiner, proferidas a agricultores da Alemanha, em 1924, onde apresentou uma visão alternativa de agricultura baseada na ciência espiritual da antroposofia, lançando os fundamentos do que seria agricultura biodinâmica.

     As idéias de Steiner, de utilizar as forças do espírito em conexão com as forças cósmicas e da natureza, foram difundidas para vários países do mundo, com a colaboração de outros pesquisadores.

     Esta agricultura está bastante difundida no continente europeu, em universidades, centros de pesquisas, laboratórios de análises de resíduos, centro de produção de medicamentos naturais e homeopáticos.

     Esta agricultura tem um sistema próprio de distribuição e mercado, todo integrado a princípios filosóficos e científicos de seguidores e estudiosos da teoria de Rudolf Steiner.

     A agricultura biodinâmica possui uma base comum com as demais formas de produção orgânica no que diz respeito à diversificação e integração de explorações vegetais, animais e florestais. Adota esquemas de reciclagem de resíduos vegetais e animais, via compostagem, e o uso de nutrientes de baixa solubilidade e concentração.

     A diferença da agricultura biodinâmica das demais correntes orgânicas se baseia basicamente em dois pontos. O primeiro o é uso de preparados biodinâmicos que são substâncias de origem mineral, vegetal e animal, altamente diluídas, que potencializam forças naturais para vitalizar e estimular o crescimento das plantas ao serem aplicados no solo e sobre os vegetais. Estes são preparados em chifres de boi, com misturas de estercos + extratos de plantas, e enterrados para sofrerem processo de fermentação e energização.

     O segundo princípio é efetuar as operações agrícolas (plantio, poda, raleio, e outros tratos culturais e colheita) de acordo com o calendário astral, com observações da posição da lua e posição dos planetas em relação às constelações. Adotam a teoria da antroposofia para estabelecer uma relação mística entre a atividade agrícola e o comportamento humano.

  • Agricultura Biológica

     Esta agricultura foi desenvolvida no início dos anos 30, pelo biologista e homem político Dr. Hans Muller, que trabalhou na Suíça em estudos sobre fertilidade de solo e microbiologia, nascendo a agricultura organo – biológica, mais tarde conhecida como agricultura biológica, cujos objetivos iniciais eram basicamente socioeconômicos e políticos, ou seja, buscavam a autonomia do agricultor e a comercialização direta. Essas idéias se concretizaram muitos anos mais tarde, por volta da década de 60, quando o médico austríaco Hans Peter Rusch difundiu este método.

     Nessa época, as preocupações da correte de agricultura biológica vinham de encontro às do movimento ecológico, ou seja, proteção do meio ambiente, qualidade biológica dos alimentos e desenvolvimento de fontes de energia renováveis.

     Segundo Rusch, o mais importante era a integração das unidades de produção com o conjunto das atividades socioeconômicas regionais. Esse movimento fez numerosos adeptos, destacadamente, na França (Fundação Nature & Progrès), na Alemanha (Associação Bioland) e na Suíça (Cooperativas Muller).

     Os princípios da agricultura biológica foram introduzidos na França, após a Segunda Guerra Mundial, pelos consumidores e médicos inquietos com os efeitos dos alimentos sobre a saúde humana. A partir da década de 60 até os dias atuais, o desenvolvimento da agricultura biológica ocorreu em várias etapas ligadas aos contextos socioeconômicos e aos movimentos de idéias das épocas correspondentes. Foi no início dos anos 60 que o agrônomo Jean Boucher e o médico Raoul Lemaire deram uma conotação comercial muito forte ao movimento, criando o “método Lamaire-Boucher”, que preconizava, entre outras coisas, a utilização de substâncias de origem marinha, que era comercializada pela sociedade formada entre ambos.

     Ressaltam-se, dentro do movimento da agricultura biológica, dois pesquisadores franceses, como Claude Aubert, que publicou L´agriculture Biologique ou “A Agricultura Biológica”, em que destaca a importância de manter a saúde dos solos para melhorar a saúde das plantas (qualidade biológica do alimento) e, em conseqüência, melhorar a saúde do homem.

     O segundo personagem importante é Francis Chaboussou, que publicou, em 1980, Les Plantes Malades dês Pesticides, traduzido para o português como “Plantas Doentes Pelo Uso de Agrotóxicos”. Esta obra contém a teoria da trofobiose, que é hoje um dos pilares ou fundamentos da agricultura orgânica para explicar o comportamento da planta ante o desequilíbrio nutricional e ao ataque de pragas e patógenos.

     

  • Permacultura

     Este movimento surgiu na Austrália, utilizando as idéias da agricultura natural, trabalhadas por Dr. Bill Mollison e outros, dando origem a um novo método conhecido como permacultura, que significa um sistema evolutivo integrado de espécies vegetais permanentes (ou perenes, de onde vem o nome) e animais ou autoperpetuantes úteis ao homem.

     Defende a manutenção de sistemas agrossilvopastoris, visando o aproveitamento permanente dos espaços verticais da vegetação, sendo especialmente adequada a regiões tropicais e subtropicais.

     Esta agricultura, já introduzida no Brasil, envolve plantações permanentes e semipermanentes, incluindo a atividade produtiva de animais. O objetivo da permacultura é imitar, reproduzir de forma consciente e bem planejada os aspectos paisagísticos e energéticos, de forma especial a associação de cultivos, como forma de atingir a sustentabilidade.

     O planejamento da instalação do sistema de permacultura numa propriedade envolve o estudo da sua atual estrutura e as que deverão ser instaladas (casa, benfeitorias, estradas, cultivos, etc.) e os recursos naturais (nascentes, rios, matas, etc.) para, em seguida, proceder ao zoneamento das atividades e das áreas de cultivo, pastagens e reflorestamento. Desta forma, são estabelecidas zonas e setores, partindo da maior atividade até a zona de menor freqüência, tudo dentro de uma perspectiva sustentável.

     Conheça melhor a permacultura: a permacultura poderia definir-se literalmente como “cultura permanente”. Esse conceito foi desenvolvido nos anos 70 por dois australianos: David Holmgren e Bill Mollison, e foi resultado da criação e desenvolvimento de pequenos sistemas produtivos, junto com a integração harmônica do entorno, as pessoas e suas casas, proporcionando responder às necessidades básicas de uma maneira que se tornassem auto-sustentável com o tempo.

     O design da permacultura se caracteriza por projetos que visam a sustentabilidade e conexões entre os elementos, utilizando métodos ecológicos e viáveis economicamente. Este projeto tem como objetivo atender às necessidades básicas sem poluir ou causar impacto ao meio ambiente, e que se tornem auto-sustentáveis.

     Entende-se que tanto o habitante quanto a sua morada, e também o meio ambiente em que estão inseridos, fazem parte de um mesmo e único organismo vivo. A permacultura trata as plantas, os animais, as construções, as infra-estruturas (água, energia, comunicações) não apenas como elementos isolados, mas como sendo todos parte de um grande sistema intrinsecamente relacionado. Para a elaboração de um design em permacultura, temos que observar a natureza ao nosso redor e combinar vários aspectos da natureza, técnicas, qualidades e necessidades dos elementos disponíveis ao nosso redor.

     Através da permacultura também se faz o uso da maior quantidade de funções possíveis de cada elemento presente na composição natural do espaço. Mesmo os excedentes e dejetos produzidos por plantas, animais e atividades humanas são utilizados para beneficiar outras partes do sistema.

     As plantações são organizadas de modo que se aproveite da melhor maneira possível toda a água e a luz disponíveis. Os pomares são cobertos de leguminosas imitando o ambiente das florestas. Os galinheiros são rotativos, para que as galinhas sejam deslocadas para outro ponto após terem estercado a terra, que será usada para outro fim, enquanto que as galinhas preparam e adubam uma nova área.

     Este tipo de cultura associa árvores, ervas, arbustos, que se alimentam e se protegem mutuamente, visando criar assentamentos mais ecológicos em harmonia com a natureza, tendo como objetivo minimizar o impacto que uma construção causa ao meio ambiente. Técnicas antigas foram novamente resgatadas junto com modernas tecnologias ecológicas, buscando o máximo possível a auto-suficiência em: energia, água, alimentos e reciclagem de dejetos e lixo, onde cada casa terá sua fonte de água através de captação de chuva, reciclagem ou poço, e a sua própria energia renovável, como a solar.

     Com a permacultura, seu lixo e esgotos serão reciclados antes de serem lançados para fora de sua propriedade. Os materiais de construção serão retirados do próprio local da obra ou da região, tendo-se preferência por materiais reciclados em vez de materiais industrializados.

     Este assentamento ecológico tem como meta a qualidade da vida de seus moradores e o mínimo impacto ambiental para se habitar, criando assim uma conexão da moradia com o meio ambiente. A permacultura trabalha a favor da natureza e não contra ela.

  • Agroflorestais

     O movimento agro-florestal foi desenvolvido a partir dos anos 80 por Ernest Gotsch, agricultor e pesquisador, nascido na Suíça, tendo desenvolvido a sua teoria e prática no Brasil. No seu trabalho inicial na agricultura, percorreu várias partes do mundo implantando reflorestamentos. Adotou sua teoria a partir dos princípios da permacultura.

     É um sistema indicado para pequenos proprietários, principalmente para aqueles que não demandam muitos recursos e tempo para a implantação e manutenção da área.

     Princípios:

     Seu procedimento de cultivo está baseado na consorciação ou sistema integrado de exploração de florestas e espécies tropicais (permanentes e anuais) e criação de animais, realizados num mesmo local e tempo. Faz o planejamento baseado na sucessão natural de espécies, na biodiversidade do ambiente e na recomposição natural das florestas.

     Cada intervenção deve deixar um saldo positivo no balanço energético, econômico, na quantidade e na qualidade de vida de todos os envolvidos direta e indiretamente no processo, à semelhança do que ocorre na natureza. Cada planta incorporado ao sistema agro-florestal tem sua atuação, função, ciclo de vida, estrato de cobertura, não havendo por esta razão concorrência entre elas.

  • Conclusão

     Desta forma, as várias correntes citadas (biodinâmica, biológica, natural, permacultura, ecológica, agroecológica, e, em alguns casos, a agricultura sustentável) são consideradas como uma forma de agricultura orgânica, desde que estejam de acordo com as normas técnicas para produção e comercialização, apesar das pequenas particularidades ou diferenças existentes.

     Em resumo, podemos destacar que o ponto comum entre as diferentes correntes que formam a base da agricultura orgânica é a busca de um sistema de produção sustentável no tempo e no espaço, mediante o manejo e a proteção dos recursos naturais, sem a utilização de produtos químicos agressivos à saúde humana e ao meio ambiente, mantendo o incremento da fertilidade e a vida dos solos, a diversidade biológica e respeitando a integridade cultural dos agricultores.

    Retirado do livro Introdução à Agricultura Orgânica 

    Autor Engº Agrº Silvio Roberto Penteado.

    www.viaorganica.com.br

     

  • Evolução da Agricultura

     A agricultura PE definida como um conjunto de atividades humanas que procura direcionar e acelerar, para proveito do homem, as manifestações da Natureza no campo agropastoril e florestal.

     Há cerca de 10.000 anos, os homens se alimentavam de frutos e plantas que vegetavam naturalmente, ou de animais encontrados soltos na natureza. Aos poucos, os homens impulsionados pela demanda e pelo desejo de tirar maior proveito dessa dádiva divina, se aperfeiçoaram de modo a obter maior quantidade de suas colheitas e caças, chegando ao estágio de práticas da condução de lavouras e de criação de animais.

     Ao longo da história humana, a agropecuária sempre se constituiu no alicerce da evolução sócio-econômica, a base da civilização da humanidade. Assim, processou-se a agricultura durante mais de 7000 anos, permanecendo inabalável como atividade que gerava economia, independentemente de outros ramos de atividade. Fazia-se desenvolver agricultura através da reciclagem de recursos naturais locais, conjugada com a exploração agropecuária.

     

    Texto retirado do curso de Agricultura Natural do CPT – www.cpt.com.br

     

     

  • Revolução Industrial e Agricultura Moderna

     O princípio de reciclagem de recursos naturais prevaleceu na agricultura até a época da eclosão da Revolução Industrial, ocorrida na Europa no século XVIII. Essa revolução trouxe uma mudança radical das bases tecnológicas em todos os setores de atividades produtivas, inclusive, no setor agropecuário.

     Desde então, iniciou-se um processo de modernização contínua da agricultura, transformando rapidamente aquela base tecnológica calcada no princípio da reciclagem de recursos naturais para o uso intensivo de insumos industrializados, isto é, implantou-se a agricultura industrial, onde os insumos passaram a ser considerados côo matéria-prima indispensável ao processo de produção.

     Hoje, entretanto, prevalece em todos os países uma preocupação inquietante com vulnerabilidade do sistema de produção agrícola, baseado no uso irracional de insumos modernos. Outra marcante preocupação com o sistema de agricultura moderna é a tendência de diminuição da capacidade produtiva do solo, resultante da erosão e da perda de matéria orgânica, da tendência de degradação do meio ambiente e da contaminação dos produtos obtidos através do uso abusivo de produtos agroquímicos.

     A situação da agricultura hoje é: quanto mais se desenvolve a agricultura de uso intensivo de insumos, a degradação ambiental aumenta em tal ordem de grandeza que não se justifica mais o aumento de produtividade.

     

     Surgiram, então, novos estilos de agricultura, calcados na busca de sustentabilidade econômica, social e ambiental.

     Como uma ação estratégica de desenvolvimento de nosso país, o governo está engajando na política demográfica racional, impulsionando o programa de Reforma Agrária e de Agricultura Familiar, embasada na política de descentralização econômica e de desenvolvimento regional.

     

    Texto retirado do curso de Agricultura Natural do CPT – www.cpt.com.br